Industria de gordura de Palma: isentas de gorduras trans, ricas em vitamina E e perfeitas para indústria alimentícia, restaurantes e consumo doméstico.
A transição para uma economia de baixo carbono começa pela capacidade de conhecer e medir os impactos gerados pelas atividades produtivas. Foi com esse objetivo que a Betasa Indústria de Alimentos LTDA, empresa do setor alimentício localizada em Jaboatão dos Guararapes (PE), realizou a estimativa de seu Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) referente aos últimos 12 meses.
Conhecida pelo
nome fantasia Seleta, a empresa atua no envase e na comercialização de
gordura de palma. A Seleta tem como principal matéria-prima o óleo/gordura de
palma proveniente do estado do Pará.
O levantamento
seguiu as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol e considerou os três
escopos de emissões: as emissões diretas da operação, as emissões associadas ao
consumo de energia e aquelas provenientes da cadeia de valor.
Estimadas CO₂
Os resultados
mostram uma forte concentração das emissões fora das instalações da empresa.
- 64,3 tCO₂e correspondem ao Escopo 1,
relacionado principalmente à combustão da frota própria;
- 0,68 tCO₂e correspondem ao Escopo 2,
associado ao consumo de eletricidade;
- 4.415,5 tCO₂e estão no Escopo 3, relacionado
à cadeia de valor da empresa.
O dado chama
atenção para uma característica comum em diversos setores produtivos: uma
parcela significativa da pegada de carbono pode estar associada a atividades
que acontecem antes mesmo de a matéria-prima chegar à empresa.
A cadeia de
fornecimento concentra os maiores impactos
A Betasa não
realiza o cultivo da palma nem a extração do óleo vegetal. Ainda assim, as
emissões relacionadas à produção da matéria-prima foram consideradas no Escopo
3, na categoria de bens e serviços adquiridos.
A análise
mostra que a produção agrícola do óleo de palma representa a principal fonte de
emissões, com cerca de 3.150 tCO₂e, equivalente a 70,3% do total estimado.
Na sequência
aparece o processamento industrial da palma, responsável por aproximadamente 1.050
tCO₂e (23,4%).
O transporte da
matéria-prima representa 215,2 tCO₂e (4,8%), enquanto a frota própria responde
por 64,3 tCO₂e (1,4%).
Já a
eletricidade e o tratamento de esgoto apresentam participação bastante reduzida
no resultado global.
O que os
números mostram?
O inventário
deixa uma mensagem importante: reduzir emissões não depende apenas de mudanças
dentro da fábrica.
Para a Seleta,
as maiores oportunidades de redução estão relacionadas à origem da
matéria-prima, aos processos utilizados pelos fornecedores e à logística de
transporte.
Essa visão
amplia o papel do inventário. Mais do que um relatório ambiental, ele passa a
ser uma ferramenta estratégica para apoiar decisões de compras, relacionamento
com fornecedores, logística e planejamento empresarial.
Onde estão
as oportunidades de redução?
Os resultados
também ajudam a direcionar as próximas ações.
Entre as
alternativas identificadas para reduzir as emissões estão a aquisição de óleo
de palma certificado, a escolha de fornecedores que adotem tecnologias para
captura de metano nos sistemas de tratamento de resíduos e a melhoria da
eficiência logística.
Outra frente
está relacionada à frota própria, com possibilidade de substituição gradual por
veículos de menor intensidade de carbono ou utilização de combustíveis
renováveis.
A gestão dos
resíduos sólidos também pode ser fortalecida por meio da segregação, reciclagem
e valorização dos materiais, contribuindo para uma abordagem mais integrada de
sustentabilidade.
Da
informação à estratégia climática
O inventário de
emissões representa um importante ponto de partida para transformar dados
ambientais em decisões empresariais.
Ao identificar
que a maior parcela de suas emissões está concentrada na cadeia de
fornecimento, a Seleta pode direcionar esforços para rastreabilidade, seleção
de fornecedores, eficiência logística e aquisição de matérias-primas com
melhores atributos ambientais.
Essa abordagem
também fortalece a integração entre sustentabilidade e estratégia de negócios,
permitindo que a gestão climática deixe de ser apenas uma iniciativa ambiental
e passe a fazer parte do processo de tomada de decisão.
Sustentabilidade
começa com dados
Conhecer a
origem das emissões é o primeiro passo para reduzi-las.
Inventários de
GEE ajudam empresas a compreender seus impactos, estabelecer prioridades e
construir estratégias mais eficientes para uma economia de baixo carbono.
No caso da Seleta,
os resultados apontam que o caminho para reduzir sua pegada climática passa
principalmente por olhar para toda a cadeia de valor — da produção da
matéria-prima ao transporte e ao processamento.
A partir dessas
informações, novas metas e ações podem ser estruturadas, transformando o
inventário em uma ferramenta contínua de gestão, inovação e melhoria do
desempenho ambiental.
Como parte da
bioeconomia, a produção de palma promove um modelo de desenvolvimento
sustentável que emprega recursos biológicos renováveis para fabricar alimentos,
energia e bens industriais, com o mínimo de resíduos e impacto ambiental.
Na culinária e
na indústria alimentícia, a gordura de palma é valorizada por suas propriedades
físico-químicas únicas, que dispensam o uso de gorduras trans (extremamente
nocivas à saúde cardiovascular). O óleo de palma bruto é composto por cerca de
50% de ácidos graxos saturados (principalmente o ácido palmítico) e 50% de
insaturados (ácido oleico e linoleico). Essa proporção equilibrada confere
estabilidade térmica sem a necessidade de hidrogenação parcial.
Agradecemos o
apoio da Sudene, pois este trabalho faz parte do importante projeto executado
pela Ponto Sustentável, que está sendo financiado por meio do edital Inova
Mulher da Sudene.
Para conhecer mais sobre a Seleta acesse o site: https://gorduraseleta.com.br/