Industria de gordura de Palma: isentas de gorduras trans, ricas em vitamina E e perfeitas para indústria alimentícia, restaurantes e consumo doméstico.

Publicado em: 30/09/2026 08:37
Industria de gordura de Palma: isentas de gorduras trans, ricas em vitamina E e perfeitas para indústria alimentícia, restaurantes e consumo doméstico.

A transição para uma economia de baixo carbono começa pela capacidade de conhecer e medir os impactos gerados pelas atividades produtivas. Foi com esse objetivo que a Betasa Indústria de Alimentos LTDA, empresa do setor alimentício localizada em Jaboatão dos Guararapes (PE), realizou a estimativa de seu Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) referente aos últimos 12 meses.

 

Conhecida pelo nome fantasia Seleta, a empresa atua no envase e na comercialização de gordura de palma. A Seleta tem como principal matéria-prima o óleo/gordura de palma proveniente do estado do Pará.

 

O levantamento seguiu as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol e considerou os três escopos de emissões: as emissões diretas da operação, as emissões associadas ao consumo de energia e aquelas provenientes da cadeia de valor.

 

Estimadas CO₂

Os resultados mostram uma forte concentração das emissões fora das instalações da empresa.

  • 64,3 tCO₂e correspondem ao Escopo 1, relacionado principalmente à combustão da frota própria;
  • 0,68 tCO₂e correspondem ao Escopo 2, associado ao consumo de eletricidade;
  • 4.415,5 tCO₂e estão no Escopo 3, relacionado à cadeia de valor da empresa.

O dado chama atenção para uma característica comum em diversos setores produtivos: uma parcela significativa da pegada de carbono pode estar associada a atividades que acontecem antes mesmo de a matéria-prima chegar à empresa.

 

A cadeia de fornecimento concentra os maiores impactos

A Betasa não realiza o cultivo da palma nem a extração do óleo vegetal. Ainda assim, as emissões relacionadas à produção da matéria-prima foram consideradas no Escopo 3, na categoria de bens e serviços adquiridos.

A análise mostra que a produção agrícola do óleo de palma representa a principal fonte de emissões, com cerca de 3.150 tCO₂e, equivalente a 70,3% do total estimado.

Na sequência aparece o processamento industrial da palma, responsável por aproximadamente 1.050 tCO₂e (23,4%).

O transporte da matéria-prima representa 215,2 tCO₂e (4,8%), enquanto a frota própria responde por 64,3 tCO₂e (1,4%).

Já a eletricidade e o tratamento de esgoto apresentam participação bastante reduzida no resultado global.

 

O que os números mostram?

O inventário deixa uma mensagem importante: reduzir emissões não depende apenas de mudanças dentro da fábrica.

Para a Seleta, as maiores oportunidades de redução estão relacionadas à origem da matéria-prima, aos processos utilizados pelos fornecedores e à logística de transporte.

Essa visão amplia o papel do inventário. Mais do que um relatório ambiental, ele passa a ser uma ferramenta estratégica para apoiar decisões de compras, relacionamento com fornecedores, logística e planejamento empresarial.

 

Onde estão as oportunidades de redução?

Os resultados também ajudam a direcionar as próximas ações.

Entre as alternativas identificadas para reduzir as emissões estão a aquisição de óleo de palma certificado, a escolha de fornecedores que adotem tecnologias para captura de metano nos sistemas de tratamento de resíduos e a melhoria da eficiência logística.

Outra frente está relacionada à frota própria, com possibilidade de substituição gradual por veículos de menor intensidade de carbono ou utilização de combustíveis renováveis.

A gestão dos resíduos sólidos também pode ser fortalecida por meio da segregação, reciclagem e valorização dos materiais, contribuindo para uma abordagem mais integrada de sustentabilidade.

 

Da informação à estratégia climática

O inventário de emissões representa um importante ponto de partida para transformar dados ambientais em decisões empresariais.

Ao identificar que a maior parcela de suas emissões está concentrada na cadeia de fornecimento, a Seleta pode direcionar esforços para rastreabilidade, seleção de fornecedores, eficiência logística e aquisição de matérias-primas com melhores atributos ambientais.

Essa abordagem também fortalece a integração entre sustentabilidade e estratégia de negócios, permitindo que a gestão climática deixe de ser apenas uma iniciativa ambiental e passe a fazer parte do processo de tomada de decisão.

 

Sustentabilidade começa com dados

Conhecer a origem das emissões é o primeiro passo para reduzi-las.

Inventários de GEE ajudam empresas a compreender seus impactos, estabelecer prioridades e construir estratégias mais eficientes para uma economia de baixo carbono.

No caso da Seleta, os resultados apontam que o caminho para reduzir sua pegada climática passa principalmente por olhar para toda a cadeia de valor — da produção da matéria-prima ao transporte e ao processamento.

A partir dessas informações, novas metas e ações podem ser estruturadas, transformando o inventário em uma ferramenta contínua de gestão, inovação e melhoria do desempenho ambiental.

 

Como parte da bioeconomia, a produção de palma promove um modelo de desenvolvimento sustentável que emprega recursos biológicos renováveis para fabricar alimentos, energia e bens industriais, com o mínimo de resíduos e impacto ambiental.  

 

Na culinária e na indústria alimentícia, a gordura de palma é valorizada por suas propriedades físico-químicas únicas, que dispensam o uso de gorduras trans (extremamente nocivas à saúde cardiovascular). O óleo de palma bruto é composto por cerca de 50% de ácidos graxos saturados (principalmente o ácido palmítico) e 50% de insaturados (ácido oleico e linoleico). Essa proporção equilibrada confere estabilidade térmica sem a necessidade de hidrogenação parcial.

 


Agradecemos o apoio da Sudene, pois este trabalho faz parte do importante projeto executado pela Ponto Sustentável, que está sendo financiado por meio do edital Inova Mulher da Sudene.

 

Para conhecer mais sobre a Seleta acesse o site: https://gorduraseleta.com.br/